E a capa vai para...
Esta semana, as três revistas semanais mais importantes do país trouxeram a mesma capa. E não era nenhum escândalo político, denúncia ou uma matéria de comportamento. Quem estampava a cara da Veja, Época e IstoÉ era Paulo Coelho, que segundo a Veja é o brasileiro mais global e influente de todos os tempos. (!)
O feito inédito me fez refletir a questão: Por que tais revistas do país deram a mesma capa, na mesma semana? Aqui vale destacar a eficiência da assessoria de imprensa de Paulo Coelho, que conseguiu vender livros, antes mesmo do lançamento. Com esta jogada de marketing, sem dúvida, muitos leitores correram às livrarias atrás de "O Zahir".
As capas "Paulo Coelho" reacenderam a discussão da relação departamento de jornalismo e departamento comercial das redações. Qual o objetivo das revistas: vender ou informar o leitor?
Nesta semana do dia 23, o leitor que foi até as bancas ficou sem opções. Poderia escolher entre Paulo Coelho e o primeiro capítulo de "O Zahir" (Época); Paulo Coelho e um artigo inédito do escritor (IstoÉ); ou Paulo Coelho e uma entrevista "mais exclusiva" (Veja). E eram apenas esses os diferenciais das publicações. O conteúdo das matérias eram os mesmos. O que causa ainda mais indignação devido a falta de criatividade dos jornalistas ao abordar o assunto.
Pois na mesma semana, uma outra revista semanal, a Carta Capital, por algum motivo, deu outra capa. Sobre o caso Daniel Dantas, dono do banco Opportunity (controlador da Brasil Telecom). Talvez ela não tenha colocado o Paulo Coelho na capa simplesmente por ter sido esquecida pela assessoria de imprensa do escritor, ou porque foi procurada mas não aceitou o convite da editora (sim, eu estou sugerindo que as capas de Veja, IstoÉ e Época podem ter sido negociadas) ou ainda porque a revista achou que outro assunto era mais relevante no momento. E foi o que aconteceu.
Até que a revista Carta Capital traz a propaganda: " Nada contra os coelhos. Mas alguém precisa cuidar das raposas". Nem é preciso falar da relação desta frase com as três capas.
Não há mal algum em dar capa ao Paulo Coelho. Mas é impossível ser mera concidência que Veja, Época e IstoÉ deram com "exclusividade" a capa para o autor, que na verdade foi mais tratado como uma celebridade mundial do que como escritor.
Naquela semana do dia 23 o mundo discutia muitas outras questões: estanásia, o papado, a igreja, assim como o Daniel Dantas. E porque não discutir a arte brasileira, o cinema nacional e a literatura do país?
As revistas se venderam? Não tem como afirmar ou provar. Mas tem mato nesse coelho!
21 anos, estudante e corinthiano. Gosta de música, literatura, tecnologia e futebol.
