sábado, maio 14, 2005

Seguindo passos

Mino Carta. Foi em uma entrevista ao programa Roda-Viva que conheci melhor este jornalista. Suas idéias, desilusões, sonhos, concepções sobre o Brasil. Também o ouvi dizer sobre o jornalismo e a função do jornalista, mais ainda, do novo jornalista ou daquele que vem por aí. Como é o meu caso. Mino Carta deixou claro para mim que o que falta aos profissionais é a crítica. Que o jornalista trabalha para os "patrões". Dizemos e escrevemos o que eles querem.

Mas Mino Carta é esperançoso. Acredita que o jornalismo ou jornalista pode ser crítico, pode cobrar, fazer acontecer. Não deve esconder um fato. Eespero ter coragem para desafiar os patrões, para criticar o que quiser, seja onde for.

sexta-feira, maio 06, 2005

Quem é que sabe a verdade?

Primeira lição do jornalismo: "checar informações, ouvir os dois lados" Essas são as palavras que estudantes, eufóricos e sonhadores, "aprendem" no dia em que iniciam o curso. E assim seguimos..."escrever a verdade". Até que a imagem romântica do jornalismo, aos poucos, vai se apagando. Nos deparamos com fatos que, às vezes, nos pegam de surpresa. Existem exemplos de jornalistas renomados, que estão no mercado há tempos e que certo dia colocam a tal verdade em xeque.

Aqui dou o exemplo de Mário Sérgio Conti em seu Notícias do Planalto, em que narra a influência da imprensa na ascenção de Collor até o impeachment. No livro, o jornalista sugere, mas não afirma, que em 1989 o ex- diretor da revista Veja, José Roberto Guzzo, teria recebido propina para publicar uma frase, "O Ministro das Boas Notícias", referindo-se ao Ministro da Agricultura Íris Resende. Conti negou, disse que não teve esta intenção e que em nenhum momento afirmou que Guzzo teria recebido dinheiro. Mas o que fica para o leitor é: "Guzzo recebeu dinheiro para publicar a frase". Então, se Mário Sérgio Conti negou a acusação, o que ele contou ao público, qual a verdade?

segunda-feira, abril 25, 2005

Ah...Ela pode!

Budista, mãe de 3 filhas, casada, jornalista, apresentadora, vereadora, voluntária. Aos 38 anos, Soninha tem tantas atividades que fica difícil acreditar que o dia dela tem 24 horas.

Depois de trabalhar por 10 anos na emissora MTV, a vereadora (vou chamá-la assim) conquistou uma coluna semanal de esportes no jornal Folha de São Paulo; é apresentadora e comentarista do programa de esportes Bate Bola, no canal ESPN Brasil. Além disso, escreve sobre assuntos variados no site América Online e já passou pela rádio CBN. Em seu site, Soninha escreve colunas geralmente sobre política (aquelas coisas que a maioria dos brasileiros sequer sabem que existem) e também conta seu dia-a-dia como vereadora, mulher de família e jornalista. Ele funciona como um blog, um diário.

Em 2001, Soninha deu uma entrevista a revista Época, para qual declarou fumar maconha. Neste ano, ela era apresentadora do programa RG na Tv Cultura, e por causa de sua declaração foi demitida da emissora.

A Soninha é uma voz forte. Já era na MTV e depois da reportagem da época ela conquistou muita gente, e desagradou muitas, claro. Independente de suas opções, ela é uma mulher esclarecida e envolvida com política, mesmo antes de ser vereadora. Na própria MTV ela apresentou o programa ?Barraco? a qual tratava de temas públicos como reciclagem e homossexualismo, por exemplo. E creio que exercia um papel importante e de jornalista. Entrevistava, mostrava diferentes pontos de vista e exercia muito bem o papel de mediadora.
Se candidatar a vereadora foi uma conseqüência. Ela sempre esteve ativa, envolvida em trabalhos voluntários, preocupada em exercer seus direitos como cidadã. Sinto falta disso nos atuais jornalistas: envolvimento com as causas.

Porém confesso que não sei se me agradaria caso algum jornalista, que eu julgasse incompetente, exerça ambos cargos. Até porque, no caso da Soninha, sua coluna e programa de tv falam de esportes e em nenhum momento ela os utilizou para se promover.

sexta-feira, abril 22, 2005

E a TV brasileira...la la lalala

A televisão brasileira faz programas de qualidade? Hummm

Quem controla a programação da TV? Quem diz o que pode e o que não pode?

A TV brasileira precisa de um órgão que assuma essa responsabilidade e que garanta a qualidade da produção televisa nacional. Isto não que dizer censurar. Pelo contrário, é uma forma de garantir que o serviço público, afinal, a TV (assim como o rádio) é uma concessão pública, cumpra seu papel. Para isto é imprescindível que a legislação seja modificada, que a atividade televisiva seja regulamentada.

Na maioria dos países este cenário é diferente. Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo, valorizam a participação do cidadão nos processos de concessões, em caso de descumprimentos de normas há penalidades, levam em conta a garantia da diversidade. Bom, aqui, o papel do Estado limita-se em conceder canais.

Os americanos também adotaram um tal de V-CHIP, mas acho que este aparelhinho eletrônico não seria útil no caso do Brasil, os pais acabariam vetando quase tudo. Precisamos de um aparelho mais estruturado, exigente, que contenha os abusos cometidos pelas emissoras.

quinta-feira, abril 21, 2005

O telejornalismo brasileiro

Há tempos o jornalismo da televisão brasileira não apresenta uma nova proposta. Apesar dos telejornais contarem com novos estúdios e cenários mais modernos, além da inovação tecnológica que contribui para o aperfeiçoamento técnico, apresentadores mais bem preparados (atualmente, a maioria jornalistas por formação), o modo de se fazer telejornalismo parece ser o mesmo desde a década de 50.

Um bom exemplo é o Jornal Nacional, o telejornal com maior audiência do país. O formato das matérias é a mesmo há anos. A cara do jornal (apresentadores, cenário, arte) mudou, mas, apesar da qualidade das matérias, a maioria das vezes, tem o mesmo padrão.

Uma alternativa para mudar o telejornal brasileiro é, primeiramente, mudar a cabeça dos estudantes e das faculdades de jornalismo. Elas são a principal ferramenta para estimular estes jovens a pensar em uma solução para um novo telejornal, buscando novas linguagens e formatos e claro, apresentando os fatos com maior profundidade e cuidado, ressaltando também a criatividade. Sem esquecer de valorizar e respeitar diferentes expressões culturais.

Trazer um pouco a linguagem cinematográfica, principalmente do documentário para o jornalismo possa ser uma saída para tal ousadia. Enquadramentos, montagem diferenciada, uma maneira diferente de usar depoimentos de fontes, a utilização de trilhas sonoras e até a dinamicidade do cinema são interessantes para dar um tom mais descontraído e que prendam a atenção do telespectador.

terça-feira, abril 19, 2005

A fumaça é branca?

E elegeram o novo papa! E entre tantos favoritos, o vencedor foi: Joseph Ratzinger, da Alemanha!Mas agora é ele Bento 16, mas a Globo insistiu em dizer que era Benedito 16. Pelo menos não chamaram o papa de Bendito!

E eis a ficha do Bento 16: é contra o aborto, homossexulismo é pecado, nada de casamento depois do divórcio, rock e música pop são profanos... e tudo continua na mesma.

Eu já disse aqui o que eu acho sobre essa coisa do Papa. Mas é claro que acompenhei as repercussões sobre quem seria o novo Papa. E tinham muitos favoritos. Entre eles o brasileiro Dom Cláudio Hummes, o nigeriano Francis Arinze. Também concorria italianos e outros. Ah! E tinha o alemão!

Alguns eram da ala conservadora da igreja (é o caso de Bento 16), uns de uma ala "mais liberal". Enfim, no fundo havia uma esperança em mim que viesse um Papa que pudesse continuar o trabalho, eu diria, diplomático e carismático de João Paulo II. Afinal, quem não o achava um papa simpático? E ele teve lá sua importância: visitou países islâmicos (primeiro Papa a realizar o feito) e também pediu pela paz.

A cobertura da mídia sobre a eleição do novo Papa também me levou a crer que viria alguém mais na boa, atualizado, que entedesse os problemas do mundo de hoje e que estivesse aberto a ouvir todos os lados, que fosse de verdade em busca da paz (acho que estou muito utópica!)

Tá, eu disse que nenhum Papa vai salvar o mundo e tal... Mas muita gente leva o Papa a sério. Muitos jovens ouvem e seguem os "ensinamentos" (?) do tal. E a igreja ainda tem muitos fiéis.
Mas não fiquei tranquila com o alemão. Não por ele ser alemão, mas pelo que ele andou falando por aí:

"Estou convencido que as notícias freqüentes sobre padres católicos pecadores [pedófilos] fazem parte de uma campanha planejada para prejudicar a Igreja Católica." Joseph Ratzinger

É, ele disse isso.

quinta-feira, abril 07, 2005

Enquanto isso, nos corredores do castelo...

E ninguém deixava o Papa descansar...em paz.

Eu não entendo muito bem essa coisa de Papa, quero dizer, não entendo essa devoção a um homem, sim homem, como se ele fosse resolver os problemas do mundo.

O Papa que proíbe o uso da camisinha e métodos anticoncepcionais não poderia salvar o mundo! Enquanto isso, seguidores do Papa (sim, existem seguidores do Papa!) se arriscam por aí!
Eu não queria outro Papa. Para quê outro Papa? O novo Papa não será aquele Papa. O único que conheci e que para mim sempre seria o Papa: o Papa.

E os humanos descobriram que o Papa é humano, como nós. Sim, como nós! Ninguém queria que ele descansasse ou que fosse para o paraíso (existe alguma dúvida que é para lá que ele vai?).

Fico imaginando o clima e as conversas pelos corredores do Vaticano. Ah! Eu não acredito que os cardeias não conversem ou troquem uma idéia sobre o futuro do papado.
- E aí? Você vai votar em quem?
- Eu queria votar no africano e vc?
- Ah! Eu acho que o ocidente não está preparado para um Papa Negro!

Então, se é para ter um Papa, já que as regras são assim, que ele seja bom! Digo, que ele cumpra as obrigações de um Papa. Que realize todas aquelas coisas que um Papa tem que fazer. Rezar, viajar pelo mundo, rezar pelos pobres e oprimidos, rezar para que não haja mais fome, rezar por milagres, rezar pelos ricos, rezar, rezar, rezar... Ah! Já estava me esquecendo: e resolver os problemas da humanidade. Chega de pecados humanidade!!

E agora tem um monte de gente querendo ser absolvido. Ficam até 24 horas esperando, vigilantes, para ver o Papa, deitado, morto... É. Ele está morto! Embalsamado, conservado, mas descansando...eternamente (!)

Estranho, mas, eu não vi ninguém fazendo vigília pelos mortos no Iraque, ou pelas milhares de pessoas que morrem na África por causa de uma doença aí, chamada Aids. E por aí vai... acho que não é preciso listar os sofrimentos do mundo.

quinta-feira, março 24, 2005

E a capa vai para...

Esta semana, as três revistas semanais mais importantes do país trouxeram a mesma capa. E não era nenhum escândalo político, denúncia ou uma matéria de comportamento. Quem estampava a cara da Veja, Época e IstoÉ era Paulo Coelho, que segundo a Veja é o brasileiro mais global e influente de todos os tempos. (!)

O feito inédito me fez refletir a questão: Por que tais revistas do país deram a mesma capa, na mesma semana? Aqui vale destacar a eficiência da assessoria de imprensa de Paulo Coelho, que conseguiu vender livros, antes mesmo do lançamento. Com esta jogada de marketing, sem dúvida, muitos leitores correram às livrarias atrás de "O Zahir".

As capas "Paulo Coelho" reacenderam a discussão da relação departamento de jornalismo e departamento comercial das redações. Qual o objetivo das revistas: vender ou informar o leitor?

Nesta semana do dia 23, o leitor que foi até as bancas ficou sem opções. Poderia escolher entre Paulo Coelho e o primeiro capítulo de "O Zahir" (Época); Paulo Coelho e um artigo inédito do escritor (IstoÉ); ou Paulo Coelho e uma entrevista "mais exclusiva" (Veja). E eram apenas esses os diferenciais das publicações. O conteúdo das matérias eram os mesmos. O que causa ainda mais indignação devido a falta de criatividade dos jornalistas ao abordar o assunto.

Pois na mesma semana, uma outra revista semanal, a Carta Capital, por algum motivo, deu outra capa. Sobre o caso Daniel Dantas, dono do banco Opportunity (controlador da Brasil Telecom). Talvez ela não tenha colocado o Paulo Coelho na capa simplesmente por ter sido esquecida pela assessoria de imprensa do escritor, ou porque foi procurada mas não aceitou o convite da editora (sim, eu estou sugerindo que as capas de Veja, IstoÉ e Época podem ter sido negociadas) ou ainda porque a revista achou que outro assunto era mais relevante no momento. E foi o que aconteceu.

Até que a revista Carta Capital traz a propaganda: " Nada contra os coelhos. Mas alguém precisa cuidar das raposas". Nem é preciso falar da relação desta frase com as três capas.

Não há mal algum em dar capa ao Paulo Coelho. Mas é impossível ser mera concidência que Veja, Época e IstoÉ deram com "exclusividade" a capa para o autor, que na verdade foi mais tratado como uma celebridade mundial do que como escritor.

Naquela semana do dia 23 o mundo discutia muitas outras questões: estanásia, o papado, a igreja, assim como o Daniel Dantas. E porque não discutir a arte brasileira, o cinema nacional e a literatura do país?

As revistas se venderam? Não tem como afirmar ou provar. Mas tem mato nesse coelho!

sábado, março 12, 2005

Sobre o Lemp...

Conheci o Leandro na Metodista, fazemos o curso de jornalismo. De vez em quando pegávamos o ônibus juntos e í­amos todo caminho (uns 40 minutos) conversando sobre livros e música, duas coisas que temos em comum. Adoramos ler e ouvir rock n roll. Ah! Somos corinthianos também! Hoje ele trabalha comigo, no site http://www.leialivro.com.br/ (acesse!) e temos mais tempo para debater, conversar.

Em comprensação, nossas idéias e concepções de mundo são bem diferentes. Costumamos ter boas discussões e divergir em quase todos os assuntos, principalmente na polí­tica; ele direita assumido e eu com minha quedinha pela esquerda.

O Leandro é o cara ideal para discutir. Eu sei que nós nunca chegamos a um acordo, mas acho importante e saudável ouvir o que ele tem a dizer. Diferente de mim, é um cara caseiro, adora tecnologia, ver os jogos do Timão, curte restaurantes e hambúrgueres! Super ligado a família, responsável, amigo, divertido, com seus comentários infames e hilários, inteligente. Sempre tem uma solução para tudo. Me deixa atualizada sobre as novidades tecnológicas, sites legais e muitas piadinhas (a maioria sem graçaa, rs ) bla bla bla...Esse é o Lemp!